O teu filho está a usar um fato térmico? Estás doida?

Foi o que eu disse à minha irmã no Verão anterior ao nascimento da minha segunda filha. 

Quando a minha filha mais velha tinha 1 ano e íamos até à praia, costumava vestir-lhe um daqueles fatos de fator 50+, ou as t-shirts, e estava bastante contente com a minha escolha. Afinal de contas, é benéfico para as crianças experimentar a maior variedade de sensações possível certo?

Obviamente, ficavamos na água mais ou menos 15 minutos até começar a ficar com os lábios roxos e a tremer. E assim, a brincadeira terminava.

Quando a minha filha mais nova nasceu, mantive os meus princípios, “não, não lhe vou vestir um fato térmico, ela precisa de experimentar as coisas”.

Quando voltamos á praia, dez minutos depois de entrar na água, a mais nova começa a ficar com os lábios roxos e a tremer. Obviamente, foi completamente impossível fazer com que a mais velha saísse da água, nem me pareceu muito justo para dizer a verdade, e claro, a mais nova quis fazer como a mais velha.

Tive de andar com ela dentro e fora de água a tarde inteira a tentar que não congelasse!

No dia seguinte, surpresa, surpresa… fui direitinha a uma loja de desporto e comprei o fato térmico!

Melhor decisão de sempre.

Porque o frio faz parte do conhecimento do mundo. Sentir, explorar, descobrir… tudo isso é essencial.

Isto acontece muitas vezes no dia a dia. Mantemos uma ideia porque faz sentido em teoria:

  • “é importante experimentar”
  • “não quero proteger demasiado”
  • “precisa de se habituar”

E tudo isso pode ser válido. Mas aqui está o ponto que faz a diferença:

Quando valorizamos a  intencionalidade das nossas propostas, sabemos que expor as crianças a tudo e ao mesmo tempo pode ser contraproducente. Nesta situação, a exposição prolongada ao frio estava a impedir a minha filha de experienciar as delícias de estar dentro de água. E quando há desconforto prolongado há pouca disponibilidade para explorar. A investigação mostra-nos que sem bem-estar, a aprendizagem dificilmente acontece.

Sem ajuste ao momento da criança, até as boas intenções perdem efeito.

Continuo a achar que uma variedade de experiências é importante e sentir e descobrir o frio faz parte, mas no tempo certo.

Amanhã vou arranjar um balde de gelo e deixá-la brincar com ele!

Se quiser aprofundar este olhar e aplicá-lo ao dia a dia com mais clareza e segurança, pode encontrar mais informações aqui:

E por ai? Como e que vestem os vossos filhos para ir a praia?

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