Creche ou ficar em casa: como decidir o que é melhor para o seu bebé (0–3 anos)

Se está a tentar decidir entre a creche/ama ou ficar em casa com o seu bebé, saiba que não está sozinha.

Esta é uma das decisões mais difíceis para muitas mães, especialmente quando regressar ao trabalho significa confiar o cuidado do seu filho a uma creche ou a uma ama.

Várias vezes me tenho deparado com esta pergunta. 

Mães cheias de dúvidas porque têm / querem regressar ao mercado de trabalho mas isso significa deixar os seus bebés numa estrutura de acolhimento, seja creche, seja ama, quando a família não é uma alternativa. As dúvidas acumulam-se, e começam a questionar-se:

  • “Como é que vou saber qual é a melhor alternativa?”
  • “Qual traz mais vantagens?”
  • “Será que, se ficar em casa, vou conseguir “dar conta do recado?”
  • “Vou conseguir estimular o meu bebé como fazem na creche / ama?”
  • “Será melhor colocá-lo na ama ou na creche?”

Frequentar a creche/ama ou ficar em casa?

Será que existe uma resposta certa?

Não defendo particularmente nenhuma alternativa porque, dependendo das circunstâncias da família, existem vantagens e desvantagens para todas as escolhas.

“Ah, mas as crianças só beneficiam ao ir para a creche/ama porque precisam socializar, aprender a partilhar, regras sociais e como funciona o mundo real.”

Não. 

Nos primeiros anos, a criança não procura o outro da forma que muitas vezes imaginamos.

A verdadeira socialização começa por volta dos 3 anos, Maria Montessori  chamou-lhe “solitary play” (brincadeira autónoma), e pode ir dos 3 meses aos 3 anos. Ou seja, os bebés não querem mesmo saber do outro, o seu foco é neles mesmos, nas suas necessidades e interesses. É, por definição, uma fase egocêntrica, onde o brincar com o outro, e partilhar brinquedos, não tem lugar.

O brincar é, sobretudo, individual e centrado na exploração. Isto foi descrito em diferentes teorias do desenvolvimento e também observado por Montessori, através da sua ideia de concentração e trabalho autónomo.

Se interagem? Claro. Um adulto, ou um bebé, que que tenha algo a abanar à sua frente, vai sempre provocar uma reação, visível ou invisível. 

O que realmente influencia o desenvolvimento?

A modelagem de comportamentos positivos é essencial para o desenvolvimento das crianças mas não acontece apenas na creche / ama. Acontece em qualquer lado em que o bebé esteja, se os adultos tiverem uma postura adequada. 

Claro que, se está na creche, rodeado de outros bebés tão egocêntricos como ele, situações de partilha irão surgir com muita mais frequência do que se o bebé estivesse em casa, mesmo que tenha um irmão.

Mas o ponto central não está na frequência dessas situações, está na forma como os adultos as acompanham.

A maneira como o adulto interpreta e responde aos conflitos (incluindo os momentos de “não partilha”) é que determina o potencial de aprendizagem dessas experiências.

Ou seja, não é o contexto, por si só, que ensina a partilhar. É a qualidade da intervenção do adulto.

Importa também clarificar que a capacidade de partilhar não depende apenas de aprendizagem social ou de repetição, depende da maturidade do desenvolvimento.

Está associada ao desenvolvimento das funções executivas e da autorregulação, processos neurológicos ainda em construção nos primeiros anos de vida, particularmente ao nível do córtex pré-frontal. Por isso, a capacidade de partilhar não emerge porque o adulto exige, mas apenas quando a criança está preparada para o fazer.

Como tomar uma decisão consciente?

É melhor ir para a creche / ama? Não. 

É melhor ficar em casa? Também não.

Tudo depende das condições e experiências que o bebé irá vivenciar em cada contexto. Avaliar as opções e condições é essencial na escolha, quando há escolha, do que fazer.

 

Se está a considerar colocar o seu bebé numa creche ou com uma ama e, se possível, observe:

  • Como os adultos interagem e falam com as crianças
  • Se há respeito pelo ritmo individual
  • A qualidade do ambiente (calmo vs sobre estimulação)
  • A forma como lidam com conflitos
  • A estabilidade dos cuidadores
  • Se existem espreguiçadeiras, como são usadas
  • A qualidade dos materiais existentes

São as condições reais que o seu bebé vai viver no dia a dia que impactam o benefício, ou não, de frequentar a creche.

 

Se estiver a considerar ficar em casa, vale a pena olhar também para si:

  • Que parte de si quer voltar ao trabalho?
  • Que parte quer ficar em casa?

 

Está preparada emocionalmente para essa escolha?

Muitas vezes, acreditamos que estamos, mas existe uma parte de nós que se ressente de ter de abdicar da carreira. A longo prazo irá refletir-se no seu estado emocional e poderá impactar a qualidade da relação com o seu bebé. 

Pese as duas partes, ambas são válidas, mas é uma escolha sua. 

Não há vantagem, a longo prazo, numa escolha vivida como um sacrifício.

Se quiser levar este olhar para o dia a dia com mais clareza e segurança, pode encontrar mais informações aqui:

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